Violência vicária é quando o agressor usa os filhos para ferir a mãe. Saiba como identificar, denunciar e buscar apoio jurídico com segurança.
“Ele nunca me bateu. Mas está afastando meus filhos de mim, contando mentiras, manipulando. E agora, me sinto destruída por dentro.”
Se você é mãe e sente que o seu ex está usando seus filhos para te atingir, este artigo é para você.
O que é violência vicária?
O termo foi criado pela psicóloga Sonia Vaccaro, e já é reconhecido em países como Espanha, Reino Unido e Suécia. No Brasil, o Congresso avança para tipificá-la na Lei Maria da Penha, por meio do PL 3880/2024, já aprovado em comissão da Câmara em 2024.
Violência vicária é toda ação do agressor que utiliza terceiros — filhos, parentes, animais de estimação, como instrumento para atingir a vítima.
Formas comuns de violência vicária
O agressor pode:
- Fazer os filhos acreditarem que a mãe os abandonou;
- Dizer que a mãe “está doente” ou “não presta”;
- Espionar a rotina da mulher através das crianças;
- Impedir a convivência entre mãe e filhos sem justificativa legal;
- Entrar com ações judiciais falsas ou maliciosas para obter a guarda;
- Ameaçar ou agredir os filhos com o objetivo de ferir a mãe.
Tudo isso é violência. Mesmo sem um tapa, há dor, trauma e consequências graves.
Qual é o impacto da violência vicária nas crianças?
Os filhos também são vítimas.
Eles passam a viver em um ambiente de tensão, manipulação, medo e insegurança emocional. Perdem o direito de conviver com a mãe livremente, carregam culpas que não são suas e crescem com traumas profundos.
Muitas vezes, o agressor os ensina a odiar a própria mãe.
O que diz o novo projeto de lei no Brasil sobre violência vicária
O Projeto de Lei 3880/24 propõe a inclusão da violência vicária como uma forma de violência psicológica e moral na Lei Maria da Penha. Isso significa que:
- O agressor poderá ser preso por usar os filhos contra a mãe;
- A pena será agravada quando o dano afetar diretamente o desenvolvimento da criança;
- O juiz poderá aplicar medidas protetivas urgentes à mulher e aos filhos;
- A vítima poderá solicitar indenização por danos morais.
Penalidades previstas para o agressor
Caso o PL 3880/24 seja aprovado integralmente, as consequências para o agressor incluem:
- Prisão, com pena agravada por envolver menores de idade;
- Medidas protetivas com urgência;
- Indenização por danos morais e psicológicos;
- Restrição do direito de convivência com os filhos, quando comprovado o uso de violência emocional ou manipulação;
- Bloqueio de bens e afastamento do lar.
O que fazer se você está sendo vítima de violência vicária?
- Registre provas (prints de mensagens, vídeos, testemunhas, relatos das crianças);
- Vá até a Delegacia da Mulher ou acione o Disque 180;
- Fale com uma advogada especializada em violência contra a mulher e Direito Familiar.
Uma breve análise da Dra. Creuza Almeida, advogada especializada em violência familiar e presidente da ABRACRIM PE
“A violência vicária é silenciosa, cruel e extremamente comum. Ela destrói laços, desestabiliza a mãe emocionalmente e prejudica o bem-estar das crianças. Reconhecê-la como crime é urgente. Nenhuma mulher deveria ter que escolher entre a própria saúde mental e o convívio com os filhos.”
Você não está sozinha. E seus filhos não podem ser usados como ferramenta de vingança.
Se você está sofrendo esse tipo de violência, nosso escritório pode te ajudar com acolhimento, estratégia jurídica e ação imediata. Fale conosco.